Maurício Macedo aposta no potencial gaúcho para a captação de grandes eventos

Maurício Macedo fiergsBLOG
Foto de Dudo Leal

Em entrevista exclusiva para o blog NegócioseEventos, o gerente Geral do Centro de Eventos FIERGS, presidente do Comitê Brasileiro da ICCA e vice-presidente do Capítulo Latino-americano da ICCA, Mauricio Duval Macedo, falou sobre o potencial gaúcho como destino turístico e para a captação de grandes eventos. Ele questiona a necessidade de Porto Alegre ter um novo Centro de Eventos e coloca outras questões que, em sua opinião, são o que realmente comprometem a competividade do turismo na capital gaúcha.

NegócioseEventos: Depois de Porto Alegre ter sido considerada a 3ª capital do Brasil em número de eventos internacionais (14), em 2015, quais são os planos para que capital gaúcha se mantenha no ranking e até mesmo ultrapasse esse patamar?

Maurício Macedo: A intenção é manter o trade de turismo de negócios informado, unido e engajado em prol do desenvolvimento da cidade, com o objetivo de atuar na resolução de alguns gargalos que comprometem, de alguma forma, a nossa competitividade. Temos muito por realizar com relação a fazer o turista (de lazer ou de eventos) se sentir bem na nossa cidade, muitas questões que envolvem o poder público, como sinalização turística, renovação do mobiliário urbano, segurança pública, iluminação adequada, boa infraestrutura etc. Este alinhamento entre o setor privado e o setor público, quando harmônico e sinérgico, é um dos principais diferenciais dos destinos mais exitosos, tanto no Brasil quanto no Mundo, no que se refere à atração de eventos internacionais.

O fato de Porto Alegre ter sido a 3º cidade que mais sediou eventos internacionais no país em 2015 (segundo ranking ICCA) é uma grande “chancela”, que demonstra todo o nosso potencial enquanto destino dotado de um pólo acadêmico de alto nível, parques tecnológicos e um cluster de saúde. Somos um destino geograficamente apropriado para eventos internacionais, dada à proximidade com outras capitais sul-americanas e países do MERCOSUL, temos um bom número de lideranças associativas com grande poder de influência nas suas respectivas áreas de atuação, enfim, reunimos vários dos principais requisitos de sucesso para um destino ser competitivo internacionalmente, mas também não podemos nos iludir e achar que está tudo pronto. Temos muito por fazer ainda.

Acho muito pouco provável melhorarmos essa posição, já que Rio de Janeiro e São Paulo são destinos com uma dinâmica e um tamanho muito maiores do que nós, com mais recursos, além de serem os principais portais de entrada do país, com grandes aeroportos internacionais. Nos mantermos como 3a cidade do país já é, por si só, um grande desafio, tendo em vista todas as demais cidades que, assim como Porto Alegre, estão atuando ativamente para melhor a sua colocação e o seu posicionamento internacional, além de oferecerem atrativos turísticos significativos, como Foz do Iguaçu, Florianópolis, capitais litorâneas do Nordeste, Brasília, Belo Horizonte.

NegócioseEventos: É possível que Porto Alegre se torne uma referência no Brasil quanto ao turismo de negócios? O que concorre para que isso possa acontecer nos próximos dois anos, por exemplo. Na sua opinião quais são os principais desafios?

Maurício Macedo: Tenho o entendimento de que Porto Alegre já exerce uma boa representatividade no mercado de eventos associativos (congressos técnico-cientificos), considerando todos os requisitos que relacionamos acima. Claro que sempre há espaço para crescer. Precisamos nos capacitar cada vez mais, desenvolver os profissionais que atuam na área e demandar junto ao poder público uma maior proximidade com a nossa atividade e o entendimento da sua importância, considerando o que o turismo de negócios efetivamente representa para a economia de uma cidade, um estado ou uma região. Para que algo de efetivo possa realmente acontecer nos próximos dois anos, essa soma de esforços, esse engajamento entre entidades do setor e entre o poder público deve ser mantido e aprimorado. Acredito muito no potencial de Porto Alegre e mais ainda na qualidade dos serviços que prestamos, mas ainda temos muito o que fazer com relação a essa sinergia desejada entre todos os players, setores público e privado trabalhando em parceria e solidificando o posicionamento de Porto Alegre como destino referência para eventos internacionais. Na minha opinião, esta soma de esforços e o correto alinhamento das responsabilidades de cada um é o maior desafio para nos tornarmos uma referência, ou melhor, para melhorarmos o nosso posicionamento e competitividade.

NegócioseEventos: O Centro de Eventos FIERGS, em Porto Alegre, é moderno, tecnológico, recebe eventos de todos os tipos e tamanhos na capital gaúcha. Contudo, se está pleiteando um Centro de Convenções junto ao Governo por que não temos instalações adequadas para grandes eventos. O que você pensa a respeito?

Maurício Macedo: Eu penso que a justificativa de que “precisamos de um centro de eventos de grande porte, pois estamos perdendo eventos por não termos estrutura” é imprecisa. Estou há 14 anos no Centro de Eventos FIERGS e em todo esse tempo podemos ter perdido eventos por não termos agenda disponível, por questões orçamentárias e/ou até mesmo por maior atratividade turística de outros destinos, e não por causa do tamanho do complexo. O Rio Grande do Sul é um dos Estados que mais possui Centros de Eventos no País, considerando o que temos por perto com FIERGS, PUC, FENAC, Fundaparque, em Bento Gonçalves, os Pavilhões da Festa da Uva, em Caxias, os complexos de Gramado, enfim, será mesmo que precisamos de outro Centro de Eventos?

A meu ver esse debate começou com o entendimento de que ‘é preciso movimentar a cidade, a rede hoteleira etc.’ e para isso precisamos de um Centro de Eventos novo. Será que somente construir um novo Centro e os demais gargalos da cidade continuarem como estão vai resolver a questão? É claro que um “fato novo” ajuda até mesmo a movimentar assuntos que estejam parados, mas eu entendo que esse debate precisa ser aprofundado. E que tal criarmos eventos novos e permanentes para a cidade? Desenvolvermos ações estratégicas para atrair público nos períodos de baixa ocupação e sazonalidade desfavorável? Dispormos de orçamentos mais atrativos para fortalecer as ações de promoção e captação através do POA e Região Convention & Visitors Bureau e das Secretarias Municipal e Estadual de turismo? Melhorar a atratividade turística, destravar a questão da orla do Guaíba, melhorar a sinalização e infraestrutura da cidade, mobiliário urbano, a questão da (in)segurança pública, o ambiente “regulatório” no que tange a licenças, alvarás, impostos etc. enfim, tudo isso faz parte do processo que torna um destino menos ou mais competitivo. E muito pouco se fala sobre estas outras questões.

Não sou contra um novo Centro de Eventos na cidade, apenas acho que o debate não está aprofundado o suficiente. Hoje, a ICCA possui 14 mil eventos associativos na sua base de dados, que é o maior banco de dados de eventos internacionais itinerantes do mundo. Destes 14 mil, 75% dos eventos têm entre 50 e 1000 participantes. Além disso, percebe-se uma grande tendência em uma segmentação cada vez mais específica, ou seja, antes existia um grande congresso mundial sobre determinada especialidade, e hoje o que vemos são eventos menores de sub-especialidades específicas, o que tende a gerar mais eventos de pequeno e médio porte e menos eventos de grande porte.

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